LOST EMPIRES
Uma vez mais, cruzo os portões fechados e entro neste lugar imbuído num estranho silêncio. Tudo aquilo que se ouve é o canto das aves que montaram os seus ninhos no cimo dos edifícios fabris. Décadas de intensa actividade industrial continuam presentes nos solos poluídos; agora misturados com vegetação alta e todos os tipos de cores. A natureza reclama o seu lugar original o quanto antes. Um som ferrugento sai da porta à medida que se vai abrindo, a ranger. Depois o som dos vidros partidos a estalarem, a se estilhaçarem no chão em consonância com os meus passos. Entrada não autorizada a estranhos – estamos na sala de controlo de onde os engenheiros comandavam, bombeavam o coração da siderurgia. Ali ao lado, milhares de operários labutavam dia e a noite, fins-de-semana incluídos. Agora não resta mais ninguém.
Uma viagem solitária foi feita ao longo de vários meses para descobrir alguns dos maiores ícones industriais da história recente de Portugal. E hoje transformados em zonas arqueológicas a apodrecer aos poucos. Estas foram empresas que afectaram dezenas de milhares de pessoas; grande parte delas migrando do interior e sem grande escolha que não a de trocar o trabalho na agricultura pelas novas indústrias carentes de mão-de-obra.
TEXTO E PROJECTO COMPLETO:
Lost Empires
Uma viagem solitária foi feita ao longo de vários meses para descobrir alguns dos maiores ícones industriais da história recente de Portugal. E hoje transformados em zonas arqueológicas a apodrecer aos poucos.