Cansei-me da mesma viagem todos os dias.
Mas que animal é este, que teima em não sair do mesmo lugar.
Facilita a rotina.
Torna o previsível ainda mais morno.
Escalda,
Arrefece
Tudo o que não sentes, falece.
E eu, no muro, pensei em chão
Senti o ar.
A minha mão já treme
Forço a escrita
Porque ainda não aprendi
Que nada cresce em sintonia
Com o forçar da harmonia.
Gasto horas nisto
O tasco já está vazio.
Já não me servem mais álcool.
Do etílico.
Queima mais um bocado.
Mata-me mais um pedaço.
Tenho um nó na garganta.
Laço.
Desfaço
Traço
A estadia para tratamento.
Pensei
Em dançar
Vencer
Perder
Tudo para absorver
O mais bonito quando acordo do coma.
Induzido
Propositado
Compro criatividade ao desbarato.
Consumo uma e outra vez.
Já fui, já flui, já sou
Voou.
Metrónomo Mental
Metrónomo Mental fala (também) da angústia de ser artista. Fala sobre viver com ansiedade todos os dias e tentar manter-se sã. Maioritariamente autobiográfico, assume uma rima pobre, crua e dura. A vida não é só flores mas tenho mão para a jardinagem.