Metrónomo Mental

Janice Rocha

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Cansei-me da mesma viagem todos os dias.

Mas que animal é este, que teima em não sair do mesmo lugar.

Facilita a rotina.

Torna o previsível ainda mais morno.

Escalda,

Arrefece

Tudo o que não sentes, falece.

E eu, no muro, pensei em chão

Senti o ar.



A minha mão já treme

Forço a escrita

Porque ainda não aprendi

Que nada cresce em sintonia

Com o forçar da harmonia.

Gasto horas nisto

O tasco já está vazio.

Já não me servem mais álcool.

Do etílico.

Queima mais um bocado.

Mata-me mais um pedaço.



Tenho um nó na garganta.

Laço.

Desfaço

Traço

A estadia para tratamento.

Pensei

Em dançar

Vencer

Perder

Tudo para absorver

O mais bonito quando acordo do coma.

Induzido

Propositado

Compro criatividade ao desbarato.

Consumo uma e outra vez.

Já fui, já flui, já sou

Voou. 

Metrónomo Mental

Metrónomo Mental

Metrónomo Mental fala (também) da angústia de ser artista. Fala sobre viver com ansiedade todos os dias e tentar manter-se sã. Maioritariamente autobiográfico, assume uma rima pobre, crua e dura. A vida não é só flores mas tenho mão para a jardinagem.

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Janice Rocha
Janice Rocha
Artista poeta ou vice versa
Porto, Portugal
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