"Está é a madrugada que eu esperava"
Grés vidrado
80x80 cm aprox.
2025
A peça é composta por cerâmica de grés e destaca-se
pela utilização de vidrados verde e vermelho, cores associadas ao cravo,
símbolo da Revolução de 25 de Abril. As letras, que compõem o verso inicial do
poema de Sophia de Mello Breyner, "Esta é a madrugada que eu
esperava", estão dispostas de forma a provocar uma reflexão profunda
sobre a liberdade e os valores conquistados durante a revolução.
A inversão das cores no vidrado faz referência à
perda da liberdade que, outrora conquistada com tanto esforço, parece hoje
ameaçada. As cores verde e vermelho representam, simbolicamente, tanto a
esperança quanto a urgência de se manter o legado de uma luta que não deve ser
esquecida. A peça sugere uma crítica ao desdém com que, em muitos contextos
contemporâneos, se trata a liberdade, que se tornou um direito garantido, mas
que não deve ser tomado como vitalício.