p e q u e n e z
Somos 7 biliões. Sete biliões de pessoas na face terrestre. Sete biliões de seres humanos a ocupar espaço e a interagir entre si. A gastar e a produzir recursos. Sete biliões de seres vivos que tornaram o natural em construído. Somos muitos! Mas tão pequenos. Vivemos numa esfera com terras ainda por descobrir, em que os oceanos ocupam cerca de 70% da área total e com países que chegam a ter uma densidade populacional de 1 pessoa por quilómetro quadrado. Passamos de grandes descobridores de novas terras e construtores de grandes civilizações a pequenas formigas com apenas uma mudança de ponto de vista.
Este projecto visa evidenciar a pequenez do homem na terra. Esta pequenez pode ser sentida através de comparações de tamanhos ou de sensações de solidão ou impotência. Sentimo-nos pequenos com o que nos rodeia, ou seja, com a natureza, com a arquitectura e até mesmo com o resto da população. Nesta serie de fotografias, são quase sempre representados em grande plano espaços amplos naturais ou construídos em que o ser humano ganha uma escala minúscula em relação ao que o rodeia. Em alguns casos é provocada ao observador uma sensação de frieza, de solidão, de minoria ao vermos a pessoa da fotografia tão pequena algures no enquadramento cheio de outros elementos.
Por outro lado, numa sociedade em que nos sentimos constantemente observados, esta pequenez, este sermos pequenos na imensidão do mundo, pode também dar-nos um sentimento de liberdade, de “só eu estou aqui, ninguém me está a ver, tenho todo o espaço para mim”, como é representado nas fotografias em que o modelo se sente à vontade e com vontade de andar nu em pleno com a natureza. Esta interpretação leva-nos a um ponto de vista emocional. Este projeto visa também representar a solidão e a intimidação que podemos sentir mesmo estando rodeados de pessoas. É um tipo de pequenez que sentimos quase diariamente. Em termos práticos, por vezes, somos muitos nos mesmos espaços e a ter os mesmos objetivos, fazendo-nos sentir como “apenas mais um” neste formigueiro.