HOW TO #3

Bianca Dorini

120
0

Oiê!


Seja bem-vindo(a) ao How to.


As dicas de hoje vêm no sentido de ajudar a organizar um portfólio (ou portefólio em português de Portugal), já que toda a informação (textual, fotográfica e audiovisual) sobre as obras/espetáculos/produtos/serviços estão alocadas no Google Drive ou no computador, categorizadas e sistematizadas.


Portfólio é uma coletânea de amostras do trabalho de um profissional, criativo ou não, organizada de forma a apresentar as habilidades, as capacidades, as experiências e os parceiros com os quais já trabalhou. O portfólio é um complemento ao currículo, na medida em que mostra de forma “palpável” os resultados daquilo discriminado em texto; é a validação do profissional e do seu trabalho na área e no terreno de atuação. O portfólio difere também do dossier, uma vez que o segundo pode ser um documento detalhado sobre um trabalho específico; já o primeiro é uma visão geral dos trabalhos mais relevantes.


No modelo analógico, portfólios são pastas onde estão guardados os trabalhos originais (como a imagem escolhida para capa deste artigo ou pense na cena em que o Jack mostra à Rose seus desenhos em Titanic); no caso de modelos e atores/atrizes, o famoso book é uma pasta com fotos, geralmente de estúdio, que apresentam o potencial de diversificação do profissional.  Já na era digital, muitas vezes o que se vê em termos de portfólio são imagens amontoadas de má qualidade colocadas sobre uma folha branca ou pior, os links para acesso a uma pasta do Drive ou printscreen do perfil do Instagram. Estes são péssimos exemplos, uma vez que demonstra a quem o está a analisar falta de cuidado, desleixo e desinteresse pelo trabalho. No caso do digital, a escolha de uma fonte, das cores e de um layout que dialoguem com a marca ou que transmitam os valores entregues pelo profissional são mais uma camada de comunicação com aquele que está a conhecer o trabalho e que possivelmente será o contratante do serviço e/ou o cliente do produto.


Como mencionado no artigo anterior (How to #2 Organização profissional: 3 ferramentas gratuitas do Google), o Canva é uma plataforma gratuita, apesar do plano premium ser pago, que auxilia a qualquer não-designer a criar materiais visuais (apresentações, dossiers, portfólio etc.) para exibição dos seus produtos e serviços, logo será ela a indicada para a criação do portfólio. Dessa forma, seguem 6 dicas sobre como organizar um bom portfólio.


1.    UnNatural Selection


O primeiro passo para iniciar o processo de organização de um portfólio é fazer boas fotos das amostras. Pense na qualidade da imagem, escolha o melhor ângulo, considere a incidência de luz e o ambiente à volta etc. Nada deve aparecer na imagem “por acaso”, porque todos os elementos visuais que a compõem comunicam com quem a vê. Depois, faça uma seleção das melhores imagens que valorizem o produto/serviço e estas entrarão no portfólio. No caso do digital, opte por imagens na horizontal, tendo em vista que é imediata e mais agradável uma leitura da esquerda para a direita do que de cima para baixo, com o risco de ter que rolar a página para baixo para concluir a leitura. Faça o teste e veja se isto também faz sentido para você. Mas, caso as imagens não estejam na horizontal, organize da mesma forma o documento na horizontal e inclua a imagem vertical de forma a se enquadrar naquele formato. Quanto ao portfólio analógico, geralmente os trabalhos são apresentados na vertical, tendo em vista a orientação das fotos de estúdio, por exemplo.


Registos audiovisuais também são interessantes, porque são dinâmicos, mas novamente verifique a qualidade da imagem e se as informações do vídeo (imagem e texto) confirmam a sua participação naquela ação/projeto.

Se o seu negócio é baseado em serviços, muitas vezes matérias de jornal/revista podem ajudá-lo(a) a montar o portfólio, no entanto, existe outro documento, pelo menos na área das artes do espetáculo no Brasil, que é intitulado clipping, uma compilação de toda divulgação feita a respeito do espetáculo em sites, jornais, revistas, televisão, entre outros meios, e críticas feitas por jornalistas ou pessoas célebres da área, portanto cuidado para não confundir e/ou misturar os diferentes documentos.


2.    Categorías


Com as imagens selecionadas, separe-as por categorias. No meu caso, por exemplo, sou produtora cultural, atriz, arte-educadora e já trabalhei com atendimento ao cliente. O que faço em meu portfólio digital é enquadrar minhas amostras nestas quatro categorias, assim qualquer pessoa que vir o documento saberá de x projeto foi realizado no âmbito da produção cultural, y enquanto atriz e assim por diante. No caso de diferentes produtos, técnicas ou materiais, a sugestão é a mesma. Caso opte por uma abordagem mais fluida de “leitura” do portfólio, sem categorização visível, coloque em evidência aquilo que se quer apresentar, ou seja, dê o foco para o produto feito por você (essa abordagem é mais eficiente para produtos e não tanto para serviços). Isso pode ser feito na própria foto/vídeo ou pode ser destacado por meio de uma linha e um texto, por exemplo.


3.    Equalize


Depois de definir qual a melhor forma de categorizar, se por temática, fluidez ou qualquer outra que faça mais sentido, agora é o momento de selecionar o texto. Apresente-se ou apresente a sua marca em poucas palavras-chave, isto é, insira somente as informações principais. Como o portfólio é uma “mostra dos resultados” não é necessário elaborar uma dissertação acerca da marca e de cada produto/serviço. Apenas a indicação de que você foi responsável por isto ou aquilo naquele projeto ou que você é o autor daquele produto, que o produto é “óleo sobre tela”, por exemplo, já é o suficiente e, caso haja curiosidade em saber mais, o contratante/cliente em prospeção saberá pelo que e onde procurar. No caso de ser você o seu próprio produto, no caso de modelos, qualquer tipo de texto está dispensado, a não ser que seja necessária uma introdução com as medidas, cor dos olhos, cor e textura do cabelo etc.   


Já ouviu dizer que “menos é mais”? Então, essa máxima se aplica aqui também. Procure manter o equilíbrio tanto na criatividade quanto nos textos e na quantidade de imagens/páginas do seu portfólio digital. Em relação à criatividade, ainda que o design seja disruptivo e inovador, pode ser que a principal função de comunicar não seja concretizada, portanto cuidado! Saiba quem é, de modo geral, o interlocutor do seu portfólio e construa algo objetivo e que cumpra o propósito de venda/contratação. Sobre a quantidade de páginas, ninguém se interessa por algo muito extenso, até porque quem está com tempo de sobra hoje em dia? Da mesma forma com as imagens e os textos. Ainda sobre as imagens, evite muitas imagens pequenas e aglomeradas. Se possível, coloque uma ou duas boas imagens na página que representa aquele projeto/serviço/produto e, se possível, preencha todo o espaço da página com a imagem. Isso evita que o olhar de quem está a analisar o documento seja desviado para os espaços vazios (a não ser que os espaços façam parte de uma escolha consciente e da comunicação).


Todas as dicas até aqui fazem parte do esqueleto do portfólio. Mantenha uma cópia deste esqueleto num documento editável para que seja fácil qualquer alteração e para que nada se perca. Quando estiver satisfeito(a) com o esqueleto, vá ao Canva e inicie o processo de construção do seu portfólio. O lado bom do Canva é que todo documento criado lá pode ser editado a qualquer momento, porém o lado ruim é que não se consegue partilhar uma versão “aberta” do documento para que outra pessoa o possa editar. É necessário aceder à conta e editar diretamente na plataforma.


4.    Details in the fabric


Como referido anteriormente, tudo é comunicação e toda a comunicação deve ter um porquê, desde a escolha do lettering até as cores, as imagens, as formas, os contrastes, enfim, TUDO, portanto muita atenção aos detalhes. Eles podem determinar a sua identidade e o diferenciar da concorrência, tanto para o bem quanto para o mal. Além disso, incluir fotos que deem foco aos detalhes, no caso de produtos, faz com que as particularidades da técnica de execução ou do material, por exemplo, sejam analisadas com certa profundidade, tornando o portfólio mais rico e interessante.


Outro pormenor que pode ser relevante é a manutenção da uma mesma linguagem visual tanto no currículo quanto no portfólio e na carta de apresentação/motivação. Geralmente esses três documentos fazem parte de um pacote de informações profissionais, logo manter a paleta de cores, o lettering, as formas etc. faz com que o contratante/cliente em prospeção identifique com rapidez a quem pertence os documentos, auxiliando no processo de associação e memorização do seu trabalho/marca.


5.    Contatinho

Não encerre o portfólio com “Obrigada!”. Não faz muito sentido, na minha opinião, agradecer no final de um documento que tem por finalidade apresentar uma amostra do seu trabalho para a assinatura de um contrato ou para a venda. Ao invés disso, e apenas se sentir necessidade, coloque os principais contactos, como nome do profissional/marca, telefone, e-mail e morada da loja física, se houver.


6.    Montero (Call me by your name)


A última dica é, para mim, uma das mais pertinentes, mas que a grande maioria das pessoas não dá muita atenção ou até mesmo se esquece. Nomear o documento digital com o que ele é e a quem pertence é muito importante, principalmente se a sua prospeção estiver a acontecer através de e-mail, formulário, entre outros.

Para evitar transformação do nome com aqueles símbolos “%20”, não use acentos e, caso haja a necessidade de separação de palavras, separe-as por underline ou underscore. Por exemplo, no caso do meu portfólio, como não possuo marca, ficaria “Portfolio_BiancaDorini”. Essa dica é válida para qualquer documento: currículo, texto, declaração, cronograma, orçamento etc. No caso de uma declaração ficaria “Declaracao_BiancaDorini”, no caso de um orçamento, “Orcamento_BiancaDorini” e assim por diante. Tanto para a sua organização pessoal quanto do contratante/cliente torna-se mais fácil a identificação e procura pelo documento posteriormente.


Insisto em relembrar que as dicas aqui compartilhadas têm base em experiências pessoais e pode ser que não se apliquem inteiramente à sua realidade. E está tudo bem, desde que o seu portfólio esteja a agradar a você e a comunicar com o seu contratante/cliente :)


Compartilhe aqui a sua experiência e acompanhe o desenvolvimento deste trabalho para mais dicas. Ah, enquanto o próximo artigo não é publicado, ouça à playlist que dá nome às dicas presentes neste texto e até já!

HOW TO #3

#3 "6 dicas de organização para um bom portfólio". HOW TO é uma série de artigos sobre organização no âmbito das Indústrias Culturais Criativas (ICCs) a partir das experiências de uma produtora executiva e gestora de projetos culturais.

120
0
0

Categorias

Bianca Dorini
Bianca Dorini
Gestão e Produção Cultural
Caldas da Rainha, Portugal
Mensagem